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quinta-feira, 26 de abril de 2012

A importância de ver o todo


Em qualquer organização há muitas pessoas e muitos meios para efetuar a comunicação. A comunicação eficaz entre todos, sempre é um desafio constante na análise de negócio. Conseguir buscar as informações e repassar de uma pessoa para outra, e entre os setores da empresa de forma clara e objetiva, é praticamente uma arte. Precisamos conhecer bem as pessoas e saber como abordá-las para que elas recebam as informações da melhor forma. Por isso que a Programação Neurolinguística (PNL) está sendo tão procurada por analistas de negócio. Muitas vezes, precisamos ser mais "psicólogos" que analistas mesmo.

Isso deve-se ao fato de cada pessoa possuir a sua própria percepção sobre seu trabalho. O setor de vendas, por exemplo, valoriza mais seu trabalho e considera fundamental, pois é através dele que entram os clientes e o dinheiro das vendas. Já o setor de compras considera seu trabalho essencial para adquirir bons preços, produtos e condições de pagamento para melhorar o fluxo de caixa. E o setor financeiro que cuida do caixa da empresa? A produção, por sua vez, considera que leva a empresa nas costas, já que é responsável por desenvolvedor o produto ou serviço com qualidade. Mas afinal, existe algum setor mais importante que outro? É claro que NÃO.


É muito natural que cada pessoa e setor considere o seu trabalho bem importante, pois sempre buscamos a valorização de nosso trabalho. Mas não podemos considerar que o que fazemos é mais importante que o trabalho de outra pessoa ou setor. Em uma organização as coisas somente acontecem quando o todo funciona bem. Não adianta a produção fazer tudo de forma rápida e perfeita e não ter vendas. Também não adianta ter vendas e não conseguir produzir, ou vender com prejuízo devido a uma negociação mal feita com o fornecedor. Sempre o todo tem que estar bem alinhado.

Dessa forma, considero fundamental que na análise de negócio sempre seja buscada uma visão mais ampla. Muitas vezes, por estarmos mais próximos de uma área, como desenvolvimento por exemplo, acabamos deixando nossa visão mais míope, mais limitada e não enxergando a empresa como um organismo mais complexo e cheio de conexões internas que levam para um resultado maior. A visão mais restrita nos tira a percepção de valor sobre algumas tarefas que devem ser implementadas.


Temos somente que ter cuidado para não nos envolvermos com tudo na empresa, buscando ser especialista em todas as áreas, e nos tornarmos assim super heróis. Sempre temos que ver o todo, mas sabendo que não seremos especialistas em tudo. Cada área possui sua experiência e conhecimento natural, e somente devemos apoiar esses setores entendendo a sua importância e suas necessidades na organização.

Mas também deve ser salientada a importância de sempre recebermos o contexto mais amplo para execução de algumas atividades. Recebermos uma tarefa para execução sem entendermos o real valor dela não é nada saudável. Temos que entender e acreditar no que está sendo feito. Fazer somente porque a direção da empresa quer, ou porque a equipe de desenvolvimento acha importante, não é a melhor saída. Sempre temos que parar, nos afastar um pouco do problema e buscar visualizar o todo. A partir desse ponto, estaremos aptos para tomarmos a decisão mais acertada.

sábado, 10 de março de 2012

Qual o momento certo para analisar uma nova funcionalidade?

Fiz a análise completa de uma nova funcionalidade do sistema. Documentei os requisitos que serão criados e alterados. Montei o modelo do banco de dados. Quebrei a funcionalidade em pequenas tarefas e defini os critérios de aceitação para elas. Tudo que era previsto para iniciar o desenvolvimento da funcionalidade. E como foi a implementação? A funcionalidade ficou boa no produto? Não. Não foi desenvolvida. :-(

Você, analista de negócio, nunca passou por uma situação como essa? Situações onde a necessidade de um recurso novo no software era iminente, e no fim percebe-se que não era bem assim? O recurso precisava ser feito para "ontem", mas após a análise completa, percebeu-se que não era tão prioritária assim, e existiam outras funcionalidades mais importantes para serem implementadas antes dessa.


Que desperdício! Seguindo teorias do Lean, esse estoque gerado é um grande desperdício. Isso porque, com certeza, quando chegar o momento certo de desenvolver a funcionalidade, a análise terá que ser toda reavaliada, pois o contexto do software já mudou. Pode ser até que nunca surja o momento certo, e a análise realizada nunca vire uma funcionalidade em produção.

Mas você deve estar pensando: "Se o roadmap do produto (aguarde novo post sobre o assunto) está bem priorizado, isso não ocorre!" Sim, é verdade. Mas o ponto é que nem sempre é simples priorizar quais são os recursos mais importantes e que agregam mais valor ao produto. Muitas vezes, pressões externas interferem nessa percepção de valor e urgência. E isso ocorre principalmente quando há um grande número de funcionalidades para serem desenvolvidas no produto.
Mas o que fazer para evitar esses desperdícios e focar realmente no que interessa? Eu sempre procuro manter todas as requisições registradas em cartões - conceito 3C (aguarde mais sobre isso em novo post) com o mínimo possível para não esquecê-las. A partir disso, vou aumentando sua prioridade conforme elas são lembradas novamente. Cada vez que o recurso faz falta ou é solicitado por alguém, vou aumentando sua prioridade.

Além disso, quando realmente analiso uma funcionalidade nova, procuro questionar: "por que essa funcionalidade é mais importante que as demais que ainda ficarão no backlog?" Nesse caso, cada time possuirá diferentes critérios para avaliação e priorização, como: necessidade do cliente, valor investido pelo cliente e pela empresa, retorno que o recurso trará para o produto, disponibilidade do time para desenvolver o requisito, entre outros.

Não existe regra exata para saber quando analisar a nova funcionalidade. Existem muitas variáveis a serem avaliadas. Mas o importante sempre é questionar mesmo. O conceito dos 5 porquês (assunto que falaremos mais em outro post) é interessante e pode ser aplicado nesses casos. Quanto mais porquês forem realizados, maior será a certeza de ter realizado a priorização correta, e que o momento é o adequado para realizar a análise e desenvolver a funcionalidade.